• Natalie Shimada

A Comunicação entre adultos e crianças

Natalie Shimada

Seja a mudança que você quer ver no mundo.

Mahatma Gandhi

A primeira mudança que você pode começar a fazer é na forma de se comunicar com seu filho ou filha. A comunicação feita com as crianças é muitas vezes permeada por rótulos e de um lugar de superioridade do adulto e de controle. A origem da nossa comunicação com as crianças está na nossa infância, na história individual de cada progenitor e no tipo de cuidado que tivemos.

A nossa parentalidade iniciou muito antes da chegada do bebê e colocar luz sob a nossa forma de maternar e paternar nos permite tomar consciência das nossas atitudes e quem sabe, conseguir ser a mudança para os nossos filhos.

Culturalmente estamos acostumados a ser donos e ter posse do corpo e espírito infantil. Marshal Rosemberg no livro Criar filhos compassivamente afirma que há um perigo na palavra filho, pois o rótulo sugere um tipo diferente de respeito. Não tratamos adultos, vizinhos e colegas de trabalho desconhecidos da mesma forma que na relação de superioridade que tratamos que o “filho”. Desumanizamos a criança por considerar um ser inacabado, inferior e de posse do adulto, rimos, ignoramos e muitas vezes não damos valor a fala da criança, achamos “fofinho” e desvalorizamos aquele ser humano que deseja ajudar outro ser humano.

A nossa comunicação com as crianças tem a origem de um lugar de superioridade e desse lugar a fala e muitas vezes a fala deste lugar é de autoritarismo, sem escuta, sem um olhar atento e sem observar o ser humano que ali se apresenta na ânsia de ser respeitado, ser importante e aceito.

Nos dedicamos para nossa profissão, para aprender um hobby, para estudar uma nova língua, para aprender a cozinhar. Mas, não possuímos a cultura de estudar para ser pai e mãe, achamos muitas vezes que o fator biológico é o bastante. Não nos preparamos para educar crianças, um dos papéis mais importantes da nossa vida. Não o único, mas essencial.

É necessário repensarmos a forma de nos comunicarmos com as crianças, Maria Montessori no Livro A criança afirma que muitas vezes convencidos de amor e zelo anulamos a personalidade da criança, pois a olhamos a partir de nós mesmos. As crianças possuem seu próprio ritmo, suas próprias necessidades e seu próprio desenvolvimento, a nós adultos cabe contribuir para um desenvolvimento saudável e integral quando podemos respeitar, ouvir e auxiliar a criança a agir no mundo da melhor forma.

A comunicação verdadeiramente empática sem a intenção de controlar e sim de conexão ajuda na dinâmica familiar e promove desenvolvimento de todos os membros da família, que podem viver relações sinceras e amorosas. Quando se há respeito mútuo as crianças são capazes de seguir seus mestres porque estes são exemplos de amor e firmeza.

Algumas dicas de comunicação:

- Seja exemplo na forma de se comunicar

- Se abaixe e converse na altura da criança

- Mantenha tom de voz baixo

- Mantenha escuta ativa - escute verdadeiramente a criança

- Diante do conflito, escute as necessidades verdadeiras

- Fortaleça vínculo afetivo

- Ensine habilidades de vida

- Dê tempo para as crianças elaborarem suas emoções