• Escola Lega Montessori

Por que as crianças fazem o que fazem?

Atualizado: Mai 20


Natalie Shimada


Crianças pequenas em fase típica de crescimento desempenham atividades como a maioria das crianças: brincam, pulam, correm, choram e se divertem.


O que explica esse comportamento nas crianças é o seu desenvolvimento cerebral somado ao meio onde vivem, elas possuem desejo de exploração, aprendizagem e interação. A relação entre meio (experiências) e biológico é o que constrói o indivíduo.


O cérebro humano é como um enorme HD, gravado com informações de gerações anteriores. Isso não significa que somos predestinados a determinados comportamentos devido à geração anterior, apenas herdamos possibilidades. Ao mesmo tempo em que trazemos informações ancestrais também as transformamos em outros dados, dependendo das nossas vivências. O cérebro é sócio-histórico, ou seja, foi transformado conforme as interações e as ferramentas, nesse círculo o próprio cérebro transforma as interações e as ferramentas.


O cérebro de bebês e de crianças pequenas se desenvolve rapidamente. Desde o nascimento, quando pesa 25% do peso que terá na idade adulta, o cérebro aumenta em dois anos para 75% desse peso. No entanto, nem todas as partes do cérebro desenvolvem-se em simultâneo, é um processo gradativo. O cérebro é intensamente construído nos primeiros anos de vida.

Áreas responsáveis por comportamentos como saber esperar, autocontrole, emoções e sensações estão em intensa formação, mas somente terminarão o processo na fase adulta. O córtex pré-frontal responsável pela autorregulação são essenciais para nossa formação.

O córtex pré-frontal é responsável por:


  • Interromper uma atividade e passar para outra;

  • Planejar com antecedência;

  • Fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo;

  • Concentrar-se por longos períodos de tempo;

  • Renunciar a recompensas imediatas.

Junto com o córtex pré-frontal, as funções executivas superiores contribuem para desenvolver a capacidade de sentir, entender e diferenciar emoções cada vez mais complexas, bem como a capacidade de autorregulação, para que o indivíduo possa se adaptar ao ambiente social ou atingir metas presentes ou futuras. Crianças com capacidades de controle superiores tendem a lidar com a raiva utilizando métodos verbais não hostis ao invés de métodos claramente agressivos.


Crianças se comportam como crianças, pois estão em desenvolvimento. Não adianta exigirmos atitudes que elas não podem corresponder, nossa maior função como pais e educadores é favorecer o desenvolvimento de habilidades para a vida, ensinando com paciência e entendendo as poucas ferramentas que possuem para resolver conflitos.


Ao entendermos que a criança faz o que faz não com a intenção de nos irritar ou magoar e sim porque tem poucas condições de agir diferente, conseguimos olhar com outros olhos para os comportamentos inadequados na tentativa de auxiliar a criança e perceber sua necessidade.


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